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Sábado, 28 de Abril de 2018

Delação de Antonio Palocci complica a situação do ex-presidente Lula

Oxigênio de Lula acaba com delação de Antonio P

Tremenda  delação que pode comprometer uma das famílias mais ricas e poderosas do Brasil. O ex-ministro Antonio Palocci , preso desde setembro de 2016, admitiu que o PT usava propina de contratos da Petrobrás para financiar campanhas.

Os principais alvos dos depoimentos de Palocci são os dois presidentes a quem ele serviu como ministro: Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Nenhum dos 2 tem cargo e por isso também não têm foro privilegiado.

Antonio Palocci é de Ribeirão Preto, no interior paulista. Foi vereador e deputado federal pelo PT, antes de vencer a corrida eleitoral pela prefeitura da cidade, em 1992. Anos depois, repetiu a empreitada, sendo eleito deputado novamente, em 1998, e deixando o posto no ano 2000 para assumir a chefia do Executivo municipal pela segunda vez. Foi coordenador do programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e 1 dos principais articuladores da “Carta ao povo brasileiro”, documento em que o petista se comprometia com uma política econômica mais alinhada aos interesses de agentes do mercado. Ministro da Fazenda no primeiro governo de Lula (2003-2006), Palocci perdeu o cargo depois que foi acusado de participar da quebra ilegal de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa - que havia declarado à CPI dos Bingos ter visto o petista em uma casa frequentada por lobistas em Brasília. Ele deixou a Fazenda em março de 2006.

Apagado pelo escândalo do caseiro Francenildo, Palocci se elegeu deputado federal em 2006 e passou os 4 anos seguintes na Câmara. Fora dos holofotes, não perdeu a influência entre o empresariado nem nos bastidores do governo. Em 2010, foi convidado por Dilma Rousseff para ser coordenador de sua campanha. Em 2011, com sua vitória, se transformou em ministro-chefe da Casa Civil e 1 dos assessores mais importantes da presidente. Essa fase, porém, durou apenas 7 meses. Palocci deixou o cargo em julho depois de reportagens apontarem o aumento de seu patrimônio pessoal. O acordo de delação foi fechado 1 ano e meio depois de o ex-ministro ser preso pela Lava Jato. 

 

Em depoimento a Sergio Moro no inquérito do sítio em setembro de 2017, Antonio Palocci assumiu sua participação em esquema de propina e atribuiu pela primeira vez publicamente a culpa a Lula. Ele disse que o ex-presidente fechou um acordo com Emílio Odebrecht, dono da empreiteira, no qual receberia dinheiro a fim de custear despesas pessoais e do PT. No depoimento a Moro, Palocci usou o termo “pacto de sangue”. Segundo o ex-ministro, a empresa prometeu pagamentos em 2010 a fim de que Lula convencesse Dilma, que assumiria o comando do país, a manter os privilégios da empreiteira junto à estatal de petróleo e ao governo. Os petistas reagiram dizendo que Palocci mudou seu posicionamento e mentiu para tentar se livrar da cadeia com 1 acordo de delação premiada.


Desde os primeiros depoimentos de confissão de Palocci, seus antigos correligionários adotaram a estratégia de dizer que ele mentia em troca de redução da pena. Em nota divulgada nesta quinta-feira (26/04), a ex-presidente Dilma afirma que Palocci inventa fatos para deixar a cadeia. "No esforço desesperado de obter a liberdade, o senhor Antonio Palocci cria 1 relato que busca agradar aos investigadores, na esperança de que possam deixá-lo sair da prisão. A submissão da verdade ao capricho de investigadores obedece à mesma lógica dos inquisidores que cometiam abusos, sobretudo físicos, nos presos, em outros tristes tempos, para arrancar confissões", diz trecho da nota.

 

 

publicado por srgiodefreitas1965 às 00:46
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