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Quarta-feira, 11 de Julho de 2018

Informalidade domina mercado de seguranças em casas noturnas

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A informalidade domina a contratação e a atuação de seguranças em casas noturnas, bares e eventos. Embora haja lei e cursos específicos para o serviço de segurança privada, os donos dos estabelecimentos muitas vezes recorrem a profissionais sem qualificação para bicos na noite.
 
 
De tempos em tempos surgem denúncias de agressões de seguranças a clientes, como a que ocorreu contra o universitário Lucas Martins de Paula, de 21 anos, no Baccará Backstage, na madrugada do sábado (07/07).

 

O secretário-geral do sindicato dos vigilantes e seguranças de Santos e Região (Sintragenlitoral), Nivaldo Bispo do Nascimento, destaca que a Lei 7102/83 regulamenta a guarda privada e que há cursos específicos para quem quer trabalhar na área.

 

“Para fazer segurança em qualquer lugar, mesmo que não seja registrado, o profissional deve ter o curso de formação e a reciclagem, realizada de dois em dois anos, em dia”, diz Nivaldo. “Nas baladas, até tem seguranças credenciados, mas muitos não são. Passa um cara fortão, todo 'preparado', o estabelecimento acha que é bom e o põe para trabalhar”.

 

O diretor de eventos do Sindicato das Empresas de Segurança Privada no Estado de São Paulo (Sesvesp), Marco Antônio Lopes, alega que a maioria dos casos de agressão é de seguranças clandestinos. “O profissional é treinado para garantir a integridade das pessoas, não para agredir. É preciso ter técnica e preparo psicológico. Não dá para sair dando porrada”.

Preparo psicológico é fundamental

O especialista em segurança Vinicius Vaz Ferreira, gerente operacional do Centro de Formação Falcão, diz que o profissional que atua em bares e casas noturnas deve ter preparo psicológico além do físico. Ele explica que, para ser regular, o segurança deve fazer o curso de formação de vigilante regulamentado pela Polícia Federal (PF), com carga horária de 200h. Para eventos de grande porte, com público acima de 3 mil pessoas, o curso de extensão específico é necessário. “O segurança é tecnicamente formado para gerenciar uma crise. É preciso ser racional, porque 80% das pessoas da casa noturna estão sob efeito de álcool”. Vinicius pondera que os seguranças devem agir de forma preventiva, atentos aos atos que originam as brigas, e não de maneira violenta. “O papel de segurança na casa noturna é recepcionar e atender os clientes com respeito, mantendo o ambiente seguro para os frequentados e zelando pela integridade física de todos que estão lá”.

 

 

Segundo especialistas do setor ouvidos por A Tribuna, a agressividade e o descontrole são consequências da falta de preparo de muitos profissionais, contratados na informalidade.

Ele diz que o certo, pela lei, é os estabelecimentos contratarem empresas de segurança privada para terem a mão de obra. No caso de querer montar equipe própria, a casa precisa de alvará específico da Polícia Federal (PF).

 

“O que acontece é que bares e casas noturnas, muitas vezes, contratam os profissionais diretamente por causa do custo. Se gastam R$ 350 por pessoa com uma empresa, na informalidade o serviço custa R$ 120”.

 

Um segurança com mais de 20 anos de atuação contou para a Reportagem, sob condição de anonimato, que a informalidade impera na noite da Baixada Santista. “Há muitas casas noturnas que contratam na base do boca a boca”.

 

Ele, que já fez bico e coordenou equipes com seguranças sem o curso de capacitação, garante que não há orientação dos proprietários de casas noturnas para ações com violência. Admite que o porte físico costuma ser critério único para seleção como é o caso de atletas fisiculturistas por exemplo e que excessos podem ocorrer.



Proprietário do Boteco Valongo, Julio Manuel diz que tem 1 segurança contratado via CLT, mas que, quando há eventos maiores, outros profissionais são chamados.

 

“O segurança contratado é como se fosse o chefe. Ele avalia o pessoal e chama colegas, treinados e com curso, para trabalhar como freelancers”, conta. “Em casa noturna é imprevisto, o pessoal bebe e acaba arrumando confusão, mas a orientação é sempre evitar violência”.

 

O dono do Santorini Club, Rodrigo Trisoglino, explica que possui uma empresa de segurança terceirizada. Ele confirma, contudo, que a regra na noite da região é a contratação informal.

 

O empresário diz que retirar clientes do estabelecimento em confusões não é a melhor opção. “Isso não dá liberdade para qualquer tipo de procedimento agressivo. O fato de colocar para fora não exime a casa e os seguranças de responsabilização”.



De acordo com o diretor de eventos do Sindicato das Empresas de Segurança Privada no Estado de São Paulo (Sesvesp), Marco Antônio Lopes, as pessoas precisam saber que, em casos de supostas irregularidades na atuação de seguranças, a PF deve ser alertada para que faça as fiscalizações.


publicado por srgiodefreitas1965 às 15:47
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